Cogumelos comestíveis da Mata Atlântica

Os cogumelos comestíveis comercialmente cultivados são, em sua maioria, espécies com características bem conhecidas, porém que refletem apenas uma pequena parcela do potencial de comestibilidade do grupo. O projeto Cogumelos Comestíveis da Mata Atlântica visa sistematizar o conhecimento sobre os cogumelos comestíveis conhecidos encontrados na Mata Atlântica, através de espécimes identificados e depositados no Herbário FLOR e de novas coletas.

A partir do isolamento micelial de espécies comestíveis coletadas durante incursões em ambientes de Mata Atlântica, uma micoteca está sendo criada. Tal coleção de culturas dormentes propõe-se a servir como fonte de iniciadores para produtores que se interessarem na diversificação e cultivo de espécies locais, além de mitigar a reintrodução de espécies nativas em áreas de reflorestamento e o uso de táxons micorrízicos como potencializadores da restauração de ambientes degradados.

Na literatura, diversas são as espécies encontradas em Mata Atlântica descritas como comestíveis. Entre elas, destacam-se Polyporus sapurema (cujo esclerócio é conhecido como pão-de-índio), Armillaria puiggari, Auricularia spp., Coprinus comatus, Favolus brasiliensis, Lepista sordida, Oudemansiella cubensis, Pleurotus spp. e Stropharia rugosoannulata.

A partir do conhecimento de espécies nativas da Mata Atlântica, uma vertente do projeto visa avaliar o cultivo de espécies de cogumelos comestíveis em Resíduo de Cervejaria (SBG – Spent Brewery Grains, na sigla em inglês), um subproduto industrial gerado em grande escala pelo processo de produção de cervejas. Os experimentos ainda estão em fase inicial, porém os resultados são promissores. O vídeo em time-lapse abaixo apresenta o crescimento de Pleurotus ostreatus (cogumelo-ostra ou shimeji) em Placas de Petri por 19 dias, utilizando-se como substrato quatro meios de cultura distintos: BDA (Batata-Dextrose-Agar), um meio de cultura comercial amplamente utilizado em laboratórios, BAA (Batata-Açucar-Agar), substrato semelhante ao BDA, porém produzido com materiais caseiros e SBG moído misturado com Agar em duas concentrações, 15 e 30g por placa.

 

Veja abaixo quem compõe o time de pesquisadores do projeto:

  • Coordenação:

Maria Alice Neves (UFSC)

  • Colaboradores externos

Mariana Drewinski (DR, Instituto de Botânica de SP)

Nelson Menolli (Instituto Federal de São Paulo)

  • Pesquisadores UFSC:

Adilson Feldhaus Junior (Instagram @fungi.eco)

Luiz Otávio dos Santos (probolsas)